quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

o beijo do zelador

fui fazer uma entrevista com um zelador hoje pela manhã. muito simpático e atencioso, me contou que trabalhava no prédio há 20 anos, desde que fora construído. fiz várias fotos suas pelo condomínio e ele se parecia estar se sentindo um rei em seu castelo. no hall, próximo à quadra de tênis, junto às bromélias em flor, nas piscinas...em todos os clics a mesma soberba. ao terminar o trabalho, apertei sua mão e desejei feliz natal a ele e sua família. disse-lhe que era muito simpático. ele devolveu: e a senhora é linda. agradeci. quando foi abrir o portão da garagem para eu saísse fechou os olhos e colocou a mão sobre a boca, apertando um beijo que logo depois iria largar, em um sopro. com uma naturalidade dos velhos amantes, com uma leveza e alegria que só alguns angolanos, como ele, sabem ter.

5 comentários:

Fantíssima disse...

Lú, tô achando ótimo que estejas no pique!!! Essa tua história aqui, me deu idéia pra outro projeto pra ti. Certamente, com todos esses anos de revista, entrevistas e todas as funções, deves ter mais coisas pra contar. Quem sabe tu não faz uma reunião delas?!? Junta as tuas com as das tuas jornalistas... vê no que dá!
Beijo..

Carla Melani disse...

adorei, imaginei a cara dele e a tua, que momento! siga as letrinhas...

Luís Maffini disse...

e a soberba era do angolano? a soberba ataca qualquer cor, qualquer raça, qualquer nação. todos. a moça européia, nariz fino, pescoço cheirando francês, téc téc de um couro italiano cobrindo os pés de porcelana, olho brilhando com a gentileza, não voltou para retribuir o beijo. agradeceu? não importa. o único agradecimento esperado era impossível de acontecer. o coração nada empedrado era de outro. fazer o quê. brindemos. com aquele que não sei que bebida é.

Unknown disse...

tão bom que voltei. tão voltei que bom. bom, voltei e mais nada até então.

Flavia Coradini disse...

Que historia mais fofa.
Consegui imaginar até as bromélias.