sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

olhando a cara da morte na ponta dos pés

O coração meio que parado, meio que disparado. Aquele gosto na boca de quem fica uma noite sem dormir e a areia raspando os olhos. O barulho das rodinhas de metal no piso gelado. Três mulheres em volta da velha. Cada uma fica na ponta dos pés por alguns segundos e dá lugar à outra. Cada uma a seu tempo olha lá para dentro, vendo a cara branca, nariz fino e gelado, pêlos espetados no queixo. Cada uma tenta ver melhor, mas aquele pequeno vidro que se desloca para o lado e dá luz a velha, atrapalha o olhar das três jovens. Reflexo. Somando a idade das três, quase dá a idade da velha. O vidro é um espelho. Fecha logo essa janela do caixão. Deixa a velha descansar.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Banco de Olhos (microconto)

Tudo começou com um corpo estranho no olho e terminou com um olho estranho no corpo.

domingo, 10 de junho de 2007

Pingos gelados na cara

Choveu tanto aqui que peguei carona na vontade de pular na sarjeta, como fazia na infância, sentindo os pingos embarrados saltarem na cara. Agora, meu, o que tá humildade relativa do ar é um assombro, né?